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Cozinhando sem fronteiras

A ideia de cozinhar fora do contexto cultural português, constitui um desafio importante para o trabalho que venho desenvolvendo. A possibilidade de sair do meio onde habitualmente cozinho, abre um caminho de novas possibilidades para a experimentação artística e constrói um olhar crítico sobre a forma como nos relacionamos com o mundo da culinária e dos alimentos. Um olhar sobre a cultura local de cada país e sobre a sua culinária, os ingredientes e as várias possibilidades de conjugação e os processos de confecção, permite-me afirmar que a culinária de cada país é um veículo por excelência para conhecermos outras culturas e com elas dialogarmos.

A ideia de desenvolver uma abordagem à Culinária no contexto artístico, iniciou-se no Brasil, durante várias viagens que fiz por vários estados deste país. Foi possível constatar que a preparação dos alimentos, por processos aparentemente distantes, parece confluir no modo como cada pessoa se relaciona com o que produz no acto da confecção alimentar, criando um mundo em que a força do gesto transforma a cozinha num local de performance.

Ao ter tido a oportunidade de cozinhar no Gana, no âmbito de uma residência artística, em colaboração com diversos artistas provenientes de vários países, constatei também que receitas idênticas criam movimentos e rituais bastante distintos, próprios das culturas nativas e colados ao universo particular de cada pessoa, que pretendo trazer para a esfera pública, num campo tão amplo mas também restrito, ao qual que convencionamos chamar arte contemporânea.